21/03/06
O que é o Projeto Leitura Livre
O Projeto Leitura Livre começou em setembro de 2004 como uma atividade acadêmica do Estágio Curricular de dois alunos do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP, Durvalino Nascimento Peco e Wagner Paulo da Silva, sob orientação da professora Evanda Verri Paulino. “Esses dois alunos se propuseram a desenvolver um projeto para cumprir a exigência do estágio curricular e o resultado foi excepcional”, explica a professora Verri.
Devido aos bons resultados apresentados pelo trabalho, a FESPSP entendeu que o projeto poderia e deveria ter continuidade e hoje o Leitura Livre foi incorporado rol de ações institucionais da Fundação. “Estamos envolvendo a área de projetos da FESPSP para ajudar no desenvolvimento, formatação e adequação do projeto para busca de patrocínios e apoios”, diz Maria Cristina Barboza, supervisora de projetos.
O Projeto foi implantado na Penitenciária Feminina de Franco da Rocha,
contemplando indicações de livros, leitura de texto em grupo, saraus e encontros com autores, entre outras atividades. O objetivo do Projeto é proporcionar às sentenciadas os benefícios decorrentes do acesso à leitura, tais como, aumento de vocabulário, de nível de conhecimento e de senso crítico, além dos efeitos benéficos e/ou terapêuticos da leitura, sobretudo quando se trata de população sob regime de privação de liberdade.
Em agosto de 2005 foi autorizada, pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, a implementação do Projeto Leitura Livre na Penitenciária Feminina do Tatuapé. O Projeto já realizou vários encontros na Instituição, com a participação de 15 sentenciadas.
Neste contexto, o Projeto Leitura Livre busca ampliar a integração das
sentenciadas na sociedade a partir de atividades dedicadas ao conhecimento e à leitura, nas quais elas podem desenvolver sua criatividade, a liberdade de expressão, debater diversos assuntos e resgatar sua identidade perante a sociedade. Pretende ainda ser uma experiência que favoreça o convívio mais harmônico das sentenciadas entre si e com guardas e outros agentes penitenciários.
De forma complementar, o Projeto Leitura Livre pretende também investir junto ao acervo das bibliotecas existentes nos presídios. Falar de biblioteca na penitenciária é fazer referência a um centro cujos objetivos e funções, embora sejam os mesmos de uma biblioteca pública, tem a particularidade de estar inserido em ambiente restrito — uma prisão, espaço com características e funcionamento específicos — e ser dirigido a uma população também específica que vive sob limitações concretas, o encarceramento. A biblioteca penitenciária integra um sistema que tem (ou pelo menos pretende ter) também um papel
ressocializador e reabilitador.
Suas funções, portanto, devem estar enquadradas nesta perspectiva. A organização de atividades culturais, que podem abranger desde oficinas de escrita e leitura, até cinema e teatro, deve se nortear por essa missão específica da biblioteca prisional, que busca trabalhar, por meio da cultura, as contradições sociais, psicológicas e vivenciais profundamente sentidas nesse meio. Apoiando-se nas possibilidades lúdicas e cognitivas da biblioterapia, as oficinas culturais e de leitura, em particular, proporcionam oportunidades de crescimento pessoal e o
desabrochar da criatividade, da imaginação, do gosto estético e dos dons artísticos, qualidades que sabidamente constroem um ego mais fortalecido e trabalham na reconstrução da auto-estima do detento.
Objetivos gerais e específicos do Projeto
Como pôde se verificar nos itens anteriores deste documento, o objetivo geral do Projeto Leitura Livre é incentivar a população carcerária à leitura, entendida como instrumento potencial de unificação, identidade, criatividade e diversidade, essencial para a formação e o desenvolvimento individual e social, servindo como atividade complementar para a inclusão social, o conhecimento e a melhoria na
auto-estima das participantes.
- Neste contexto, o Projeto tem os seguintes objetivos específicos:
- oferecer às internas oportunidades de conhecer opções culturais, artísticas ou criativas, mediante ações que as coloquem em contato com esses produtos culturais;
- contribuir para o desenvolvimento das bibliotecas em presídios e prisões como espaços de lazer e conhecimento e, nos locais em que já existam, torná-las instrumentos que contribuam para o lazer, a educação e a reabilitação de sentenciados e sentenciadas por intermédio da leitura;
- contribuir para a missão da biblioteca como espaço de ressocialização e rehabilitação;
- incentivar a leitura como meio de enriquecimento intelectual, fruição e manutenção da saúde emocional;
- contribuir para as políticas públicas voltadas à integração de presidiários e presidiárias. |