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12/01/06

A ciência aplicada

FESPSP desenvolve metodologia para diagnósticos e proposição de melhorias para áreas urbanas degradadas

A partir do conhecimento acadêmico das ciências sociais, antropologia e sociologia, pesquisadores da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) construíram um modelo teórico-metodológico de diagnóstico situacional que pode auxiliar nos programas de intervenção e recuperação urbana de regiões degradadas das grandes metrópoles

Iniciado como um projeto acadêmico-pedagógico denominado Laboratório Social, professores e alunos da FESPSP desenvolveram, durante o 2º semestre de 2005, uma metodologia de diagnóstico situacional de áreas urbanas que subsidiam a reflexão sobre as carências dessas regiões e organizam proposições para a administração pública e/ou entidades privadas e sem fins lucrativos interessadas na recuperação e no desenvolvimento desses locais.

A área escolhida para o desenvolvimento do projeto está configurado historicamente no primeiro núcleo urbanizado do antigo bairro Mooca, em 1986 e por essa razão a denominação Laboratório Social - Mooca. “Esse perímetro começou a ser desmembrado pelo poder público municipal em termos político-administrativos. Hoje pertence a dois distritos diferentes, Cambuci e Brás, integrantes respectivamente, a partir de 2002, das subprefeituras da Sé e da Mooca”, explica a professora Fraya Freshse, doutora em antropologia social e coordenadora do projeto.

O ponto de partida da investigação é um perímetro geográfico específico da cidade de São Paulo, situado a poucos quilômetros do Pátio do Colégio, topo da colina na qual se iniciou, a partir de 1554, o povoamento das terras que hoje constituem a urbe. “É uma área triangular localizada entre a Avenida do Estado, às margens pavimentadas do (atualmente canalizado) rio Tamanduateí, a oeste; a Avenida do Estado, às margens da (atualmente amuralhada) linha férrea da atual Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a leste; a larga Avenida Alcântara Machado, início da Radial Leste, ao norte”, define com precisão a professora Raquel Simões Silva, gerente do projeto.

Paralelamente ao objetivo de criar uma metodologia de diagnóstico, o projeto buscou estimular alunos, professores e pesquisadores da FESPSP e da Academia de Polícia Militar do Barro Branco, através da parceria com o NUPESP, a desenvolverem pesquisas de campo e reflexões sociais, aprimorar a multidisciplinaridade dos corpos docente e discente da instituição e contribuir para o desenvolvimento da área onde o estudo foi aplicado.

Para a professora Raquel, a pesquisa realizada foi de encontro a essas questões por meio da construção teórico-metodológica de um tipo de diagnóstico situacional bem particular, e que coloca a FESPSP  em condições de oferecer sua contribuição ao debate acadêmico e político atual. “A FESPSP possui, a partir de agora, um produto acadêmico e político-institucional que pode ser aplicado a outras áreas da cidade”.

Foi intenso o contato humano travado nas ruas do perímetro com moradores de diferentes procedências regionais e nacionais, socioeconômicas e culturais, homens e mulheres entre 13 e 80 anos com ocupações variadas, que permitiu rever com novos olhos a plêiade de dados quantitativos e qualitativos produzidos pelo poder público e por estudiosos a respeito da região da Mooca, explica Fraya. “Muitas vezes o que os moradores, nos falaram em meio ao seu cotidiano vivido nas ruas e casas do perímetro, escapa completamente à visão que ressalta daquilo que é escritosobre a área - em planos diretores mais recentes, em estatísticas oficiais, em teses acadêmicas e relatos memorialísticos. Confrontar os dados provenientes das fontes secundárias com aqueles provindos do intenso trabalho de campo é o que constitui o diagnóstico etnográfico resultante desta investigação.”

O uso pragmático das ciências sociais, antropologia e sociologia como ferramentas de intervenção urbana não é novidade, já é uma antiga característica da FESPSP que, por sua vez, herdou da Escola de Chicago, símbolo acadêmico que dava ênfase para a pesquisa empírica e trabalho de campo, característica marcante do pragmatismo norte-americano que transformou a cidade de Chicago em um imenso laboratório social no início do século.

Fraya Frehse é doutora e mestre em Antropologia Social pela USP, leciona na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e coordena o projeto Laboratório Social Mooca, um estudo de campo sobre a realidade dos moradores da região.


 

O livro Introdução à Política Brasileira (Editora Paulus, 2007) reúne artigos de diversos intelectuais com o objetivo de oferecer uma compreensão mais elaborada sobre o mundo da política brasileira. A organização é de Humberto Dantas e José Paulo Martins Jr., professor e coordenador do curso de Gestão de Pesquisa de Mercado, Opinião e Mídia, da Pós-Graduação da FESPSP.

Literatura

Lançado em dezembro de 2006, o livro A ONU no Século XXI: Perspectivas (Editoras Desatino/FASM) traz artigos de diversos estudiosos, como os sociólogos Moisés Marques e Flávio Rocha de Oliveira, respectivamente professor e coordenador do curso de Política e Relações Internacionais da Pós-Graduação da FESPSP.

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